MEDIAÇÃO

QUANTAS
CRIANÇAS
NUNCA
VIRAM OU
NÃO SABEM
O QUE É
UM ÁLBUM
ANALÓGICO?

(2026)


SINOPSE


A investigação sobre os álbuns de família evidencia a sua progressiva extinção enquanto objeto físico, num contexto marcado pela digitalização da fotografia e pela utilização generalizada de dispositivos móveis. Esta transformação não altera apenas o suporte das imagens, mas também as formas de organização, acesso, partilha e construção da memória, substituindo progressivamente a experiência coletiva de folhear e comentar o álbum por práticas individuais e mediadas por ecrãs.

Neste contexto, foi desenvolvido um workshop com crianças do 1.º ano da Escola Básica de Cruz de Argola, em Guimarães, procurando deslocar a reflexão teórica para uma experiência prática e coletiva. A atividade teve como objetivo testar o álbum enquanto objeto material, dispositivo narrativo e forma de mediação cultural, permitindo observar como crianças entre os seis e sete anos se relacionam com fotografias familiares anónimas e descontextualizadas.

O workshop partiu de dois álbuns: um álbum original, constituído por fotografias anónimas provenientes de álbuns de família encontrados numa feira, e um álbum vazio, destinado a ser construído pelas crianças. Cada participante recebeu uma reprodução de uma fotografia e foi convidado a intervir livremente através de desenho, pintura, escrita e colagem, criando novas personagens, situações e histórias a partir de imagens cuja história original desconhecia.

Durante a atividade, a oralidade e a imaginação assumiram um papel central, permitindo observar como uma imagem descontextualizada pode gerar diferentes interpretações e narrativas. No final, as produções foram reunidas no álbum vazio e cada criança apresentou a história construída, fazendo a passagem de uma interpretação individual para uma construção narrativa coletiva.

A existência de dois álbuns compostos pelas mesmas imagens de origem, mas com interpretações distintas, demonstrou que uma mesma fotografia pode produzir múltiplos significados quando retirada do seu contexto original. O workshop permitiu, assim, compreender a fotografia doméstica simultaneamente como documento, dispositivo narrativo e espaço de ficcionalização, evidenciando que o seu significado não é fixo, mas resulta da relação entre imagem, sujeito, memória, imaginação e contexto.





PINHOLE
(2026)

Resumo


O workshop de fotografia pinhole e laboratório analógico, proposto pelo docente Miguel Oliveira, permitiu explorar a materialidade da imagem, a temporalidade do processo fotográfico e a construção física da fotografia. Foi realizado com duas turmas, uma do IPCA e outra do 11.º ano de Multimédia, no Cineclube de Guimarães, envolvendo participantes com diferentes idades e níveis de experiência.

A sessão começou com uma introdução à câmara escura e à câmara pinhole, abordando princípios como luz, exposição, enquadramento e tempo. Seguiu-se uma componente dedicada ao laboratório analógico, onde foram apresentadas as regras de segurança, os processos de revelação, os químicos utilizados e o funcionamento dos ampliadores e da impressão fotográfica.

Na componente prática, os participantes utilizaram câmaras pinhole para realizar captações sem possibilidade de pré-visualização, experienciando uma relação com a fotografia baseada na espera, incerteza e duração. A revelação permitiu acompanhar fisicamente o surgimento da imagem, tornando visível um processo que permanece oculto na fotografia digital.

A dinamização do workshop constituiu também uma experiência de partilha intergeracional e aprendizagem coletiva, aproximando participantes mais jovens de processos fotográficos analógicos. Para além da componente técnica, a atividade evidenciou as diferenças entre a imediaticidade da fotografia digital e o carácter lento, material e imprevisível da fotografia analógica.

Por fim, o workshop relaciona-se diretamente com a investigação sobre a evolução dos dispositivos óticos e da construção histórica da imagem. A experiência prática com a câmara escura e a pinhole permitiu materializar conceitos teóricos e compreender a fotografia como uma construção baseada na luz, na perspetiva e no tempo, resultante de uma evolução técnica, científica e cultural.