ÁLBUNS DE FAMÍLIA COMO ARQUIVO VIVO
PRÁTICAS CURATORIAIS E ESPAÇO DE
CONSTRUÇÃO DA MEMÓRIA COLÉTIVA
(2026)
ÁLBUNS DE FAMÍLIA COMO ARQUIVO VIVO
PRÁTICAS CURATORIAIS E ESPAÇO DE
CONSTRUÇÃO DA MEMÓRIA COLÉTIVA
(2026)
SINOPSE
A realização deste projeto reforçou a compreensão da memória como um processo contínuo de construção, que se atualiza no presente através da relação entre sujeitos, imagens e contextos. As fotografias familiares demonstraram uma capacidade particular de ativar memórias e gerar narrativas, ainda que estas sejam frequentemente incompletas, fragmentadas ou contraditórias. As conversas realizadas durante as filmagens evidenciaram que cada indivíduo estabelece uma relação singular com as imagens, atribuindo-lhes diferentes significados a partir das suas experiências e recordações.
O projeto permitiu reconhecer a dimensão subjetiva da própria prática de seleção, organização e montagem. Enquanto autora, não existe uma posição neutra perante o arquivo, uma vez que cada escolha contribui para a construção e reconfiguração dos sentidos atribuídos às imagens. Neste processo, a montagem assume um papel fundamental, construindo uma lógica temporal e emocional própria e evidenciando que a memória pode também ser entendida como um efeito de montagem. O acaso, a espontaneidade, os silêncios e as hesitações registadas durante as filmagens contribuíram ainda para uma abordagem aberta e imprevisível da construção da obra.
A fotografia familiar revelou-se, assim, mais do que um instrumento documental. As imagens funcionam como dispositivos de ligação entre diferentes memórias, emoções e interpretações, permitindo reativar acontecimentos que podem já não ser integralmente recordados. Ao mesmo tempo, trabalhar com um arquivo familiar implica questões éticas relacionadas com a privacidade, a representação e a partilha de imagens íntimas, tornando necessária uma negociação constante entre aquilo que é mostrado e aquilo que permanece implícito.
Por fim, a receção das imagens e as diferentes interpretações produzidas no seu encontro com os sujeitos demonstram que o arquivo é inevitavelmente incompleto, seletivo e fragmentado. O projeto ultrapassa, deste modo, o simples registo documental de uma família para refletir sobre o próprio ato de recordar através da fotografia. O ensaio visual entende a imagem fotográfica como um dispositivo ativo de construção da memória, no qual passado e presente se relacionam continuamente, revelando a sua natureza subjetiva, afetiva e em permanente transformação.
LINKS PROJETO COMPLETO
PROJETO: https://youtu.be/QW1CZ4WD8r0
SLIDESHOW: https://youtu.be/2ImB5KU8V6o
PROJETO: https://youtu.be/QW1CZ4WD8r0
SLIDESHOW: https://youtu.be/2ImB5KU8V6o






